Com o advento da escrita, a didática inicial do desenhar se perdeu. Os primeiro rudimentos da cultura humana estão cravados nas rochas, símbolos visuais, conhecidos por Rupestres. Esses símbolos com o passar do tempo, tornaram-se mais abstratos e em constante evolução geraram as letras, dando assim origem a escrita que organizou-se apartir da criação do alfabeto. Conclui-se então que o ser humano antes de conceber a escrita, por mais ou menos 27 mil anos desenhou e nessa transição que chamaremos “Alphagrafia”, a linguagem do desenhar se perdeu.
Na falta de uma literatura estruturada o aprendizado do desenhar se sustentou e ainda se sustenta no frágil suporte denominado “dom” ou “talento”, privilégio de poucos iluminados.
Diversos métodos, caminhos e até programas de computador, são criados quase que diariamente para auxiliar no ensino do desenho, porém, nenhum deles preenche essa lacuna que se refere aos primeiros degraus do design e possibilita a qualquer pessoa se enveredar por esse universo, sem a frustração do fracassar nas primeiras tentativas que ocasionam a desistência de muitos.
Todos nós temos que aprender a ler e escrever, sem necessariamente nos tornarmos escritores, também temos que aprender matemática sem nos tornarmos matemáticos, pois essas ferramentas nos possibilitam inclusão social e nos prepara para o campo de trabalho.
O desenhar não é apenas uma habilidade para a formação de artistas, deve ser somado a escrita e a matemática, formando um tripé de sustentação, que ampara o homem, expandindo e estabelecendo novos horizontes que, por consequência, atuam auxiliando o desenvolvimento das faculdades mentais. O desenhar é sim uma das principais ferramentas de trabalho e comunicação, cada vez mais exigida num universo onde, cada parafuso, aparelho eletrônico, ruas, casas, cidades, são concebidos a partir de um projeto gráfico. Com o advento da computação, “erroneamente” calculou-se que os softwares iriam suprir todas as necessidades nas áreas do desenho, porém, com o passar dos anos, mais do que utilizado em tempos antigos, o mercado carece de profissionais capazes, existe a busca de desenhistas com experiência, habilidade e percepção visual, conhecimento real para operar esses softwares.
A formação de um desenhista se dá ao longo da vida. O treinamento do olhar, a percepção visual, o traço, a gestalt, domínio do espaço, forma, conteúdo, tonalização e proporção, todos esses conceitos requerem tempo de aprendizado e precisam ser desenvolvidos desde o ensino fundamental, de forma séria, pois, agregam valores que despertam a criatividade, bem como o amor ao saber, tão carente nas instituições de ensino de forma geral.
Alfagrafia é uma simulação por suposição que levou o homem a desenhar e compor o alfabeto e caracteres de todos os idiomas. O termo tem como objetivo gerar fixação do conceito, por ser um paralelo. Tornando assim fácil, o aprendizado do desenho.
As expressões grifadas abaixo foram idealizadas pelo Artista Plástico Caio M. O. Santos, com a finalidade de explicar, compor, agregar valor e diferenciar a sua metodologia de ensino o “Desenho Básico Estrutural”, ministrado ao público e aperfeiçoado desde a década de 80 com resultados significativos.
Alfagrafia – é o princípio da grafia, símbolo visual ou caractere alfagráfico.
Alfagráfico ou alfágrafo – é o conjunto dos 7 caracteres, símbolos visuais, ou elementos gráficos que viabilizam a representação de todo o universo de imagens, grafias, símbolos, reais ou imaginários, no plano bidimensional.
Alfagrafização – Método de ensino do desenho com base na alfagrafia. Toda metodologia que orienta, ensina ou relaciona imagens a serem construídas ou representadas aos símbolos alfagráficos.
Alfagrafizado – Pessoa ou indivíduo iniciado no desenho através da alfagrafização.
Analfagráfico – Pessoa ou indivíduo que não sabe desenhar.
Alfagrafia é o método que propõe a leitura das imagens e a sua representação a partir dos símbolos alfagráficos, possibilitando o aprendizado do desenho através de uma didática simples e objetiva. Mais simples que o alfabeto (26 algarismos), que a matemática (com 10 numerais e 4 operações), e semelhante a música (7 notas musicais), o “alfágrafo” ou “alfagráfico” é composto por 7 caracteres, símbolos visuais ou elementos gráficos universalmente conhecidos e fáceis de memorizar.